A Tesla se prepara para revelar a nova versão do Roadster em 1º de outubro de 2026, mais de oito anos depois de o protótipo ter sido apresentado pela primeira vez, em 2017. Um teaser publicado pela empresa indica que a versão de produção poderá receber um tratamento de design inspirado na família «Cyber», enquanto Elon Musk prometeu mudanças de design «radicais». Mas o cerne da crítica apresentada pelo artigo da Electrek é que o Roadster não precisava tanto de um redesenho quanto precisava chegar efetivamente às linhas de produção.
De carro esportivo a extensão da linguagem Cyber
O autor descreve o design do Roadster apresentado em 2017 como baixo, limpo e veloz, e considera que ele ainda parece bom após oito anos. Na visão dele, o fato de o design continuar convincente até agora revela mais sobre o problema da Tesla do que sobre uma necessidade de mudança radical no carro.
O artigo coloca isso no contexto dos designs posteriores da Tesla. O Model Y chegou em 2020 e se tornou o carro mais vendido do mundo, mas o autor o descreve como uma evolução prática do Model 3, com teto mais alto e porta traseira, e não como um grande salto de design. Depois, segundo o artigo, a empresa adotou uma linguagem de design «Cyber» no Cybertruck, no Cybercab e no Robovan, com superfícies angulares e uma aparência inspirada na ficção científica. O novo teaser indica a possibilidade de essa linguagem ser transferida para o Roadster por meio de uma faixa de iluminação dianteira contínua e de um design mais agressivo.
O pacote SpaceX entre desempenho e espetáculo
O elemento mais destacado da apresentação prevista é o pacote SpaceX, que utiliza propulsores movidos a gás frio comprimido e refrigerado para produzir breves impulsos de aceleração. De acordo com o material, Musk afirma que o carro acelerará de zero a 60 milhas por hora em menos de dois segundos sem esses propulsores, e em menos de um segundo quando eles forem utilizados.
Mas o artigo observa que a conversa sobre um «carro voador» recuou para uma breve demonstração de pairado. Também menciona que o carro de demonstração não será, segundo os relatos citados, legalizado para circular nas ruas, e que a Tesla pretende operá-lo remotamente e sem um motorista dentro dele devido aos riscos de ruído associados aos propulsores.
Na prática, o autor considera que os propulsores proporcionarão um número limitado de acionamentos antes que seja necessário reabastecer o tanque, não terão função na condução diária e acrescentarão peso, complexidade e custo a um carro que já deverá ter preço elevado. Por isso, ele os descreve como um espetáculo atraente para o vídeo de lançamento, mas que não representa um benefício prático para a maioria dos usos.
O que foi prometido aos compradores?
Quando foi revelado pela primeira vez, em 2017, a Tesla prometeu autonomia de até 620 milhas, aceleração de zero a 60 milhas por hora em 1,9 segundo, velocidade máxima superior a 250 milhas por hora e assentos para quatro pessoas, por um preço básico de 200 mil dólares. Os compradores também pagaram 50 mil dólares de depósito, enquanto a versão Founders Series foi vendida integralmente por 250 mil dólares.
O artigo afirma que a data de produção anunciada para 2020 foi adiada pelo menos oito vezes, segundo o levantamento da Electrek, e que alguns proprietários de reservas conhecidos, como Marques Brownlee e Sam Altman, cancelaram suas reservas. Também cita um ex-executivo da Tesla que relaciona os atrasos à tentativa de conectar a história do Roadster à SpaceX antes de uma possível fusão, um ponto apresentado no artigo como uma explicação relatada, e não como um fato confirmado.
Por que esta notícia é importante?
A mudança efetiva que os clientes aguardam não é uma nova faixa de iluminação nem uma capacidade experimental de pairado, mas saber se a Tesla passará das promessas à entrega de um carro reservado há anos. Cada adição tecnológica ao Roadster pode elevar a complexidade e o custo, enquanto as perguntas básicas continuam em aberto: o carro manterá os números de autonomia, aceleração e velocidade anunciados em 2017? O preço continuará próximo daquele pelo qual ele foi reservado? E quais especificações chegarão efetivamente à versão para as vias públicas?
A proposta do autor é produzir uma versão atualizada do design de 2017, com autonomia superior a 600 milhas, aceleração inferior a dois segundos, quatro assentos, integração do sistema FSD e sem os propulsores, o modo de pairado ou o redesenho inspirado no carro autônomo. Essas não são especificações confirmadas pela Tesla, mas uma síntese da opinião do artigo sobre o caminho que teria conferido mais valor ao produto. A mensagem central da Electrek é que novidade não significa necessariamente melhoria, e que o maior desafio do Roadster é a execução e o cumprimento do que foi prometido, não a adição de novos efeitos de espetáculo.