Tecnologias médicas

Quando é melhor desenvolver software em vez de comprá-lo? A experiência da NYU Langone e da Dana-Farber no apoio às decisões de tratamento do câncer

A NYU Langone Health e o Dana-Farber Cancer Institute desenvolveram a plataforma Solavia Decision Suite para ajudar oncologistas a conectar dados dos pacientes a pesquisas, diretrizes e tratamentos dentro do prontuário eletrônico. Após testá-la internamente, a plataforma tornou-se comercialmente disponível para outros sistemas de saúde, em uma experiência que destaca os critérios para escolher entre desenvolver e comprar software.

2026-08-10
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فريق تحرير certi.news
Quando é melhor desenvolver software em vez de comprá-lo? A experiência da NYU Langone e da Dana-Farber no apoio às decisões de tratamento do câncer

A NYU Langone Health e o Dana-Farber Cancer Institute desenvolveram uma ferramenta digital para apoiar decisões de tratamento do câncer e depois a testaram internamente na NYU Langone antes de oferecê-la comercialmente a outros sistemas de saúde. A plataforma, chamada Solavia Decision Suite, oferece aos médicos uma maneira de visualizar pesquisas clínicas, diretrizes e tratamentos relevantes ao lado dos dados do paciente no sistema de prontuário eletrônico, ajudando-os a tomar decisões terapêuticas mais relacionadas ao caso apresentado.

Essa iniciativa ocorre em um momento de aumento dos custos dos softwares empresariais, em que os sistemas de saúde enfrentam repetidamente uma escolha: comprar um pacote pronto, que pode incluir funcionalidades de que não precisam, ou desenvolver uma ferramenta especializada que se adapte ao seu fluxo de trabalho? Nader Mehrabi, vice-presidente executivo, vice-reitor e diretor de informação e transformação digital da NYU Langone, apresenta a experiência das duas instituições como um caso prático dessa decisão, enfatizando que desenvolver software não é uma opção adequada para todas as organizações.

Uma parceria iniciada após a descontinuação de um produto existente

A NYU Langone e a Dana-Farber utilizavam anteriormente um produto da Philips para trajetórias de tratamento oncológico. Segundo Mehrabi, as duas instituições descobriram que o conteúdo existente na ferramenta havia sido elaborado pela Dana-Farber; depois, a decisão da Philips de interromper suas atividades na área de oncologia as colocou diante de duas opções: procurar um novo fornecedor ou colaborar para desenvolver uma ferramenta mais abrangente e colaborativa.

A Dana-Farber contribuiu com sua experiência em informática oncológica e conteúdo médico, enquanto a NYU Langone possuía experiência avançada no desenvolvimento e na gestão de produtos ao longo de seu ciclo de vida. As duas instituições também se beneficiaram do conhecimento sobre as deficiências e os problemas práticos do produto anterior, o que as ajudou a identificar o que poderia melhorar a experiência dos oncologistas e o atendimento aos pacientes.

Integração ao fluxo de trabalho do médico

A integração estreita com o fluxo de trabalho clínico foi uma das principais razões para escolher desenvolver a ferramenta do zero. Segundo Mehrabi, o tempo dos médicos é limitado; por isso, as informações e as etapas necessárias devem aparecer diretamente diante deles. A Solavia foi projetada para se integrar profundamente ao sistema de prontuário eletrônico, e a Epic era utilizada tanto na NYU Langone quanto na Dana-Farber. Ele explicou que a plataforma não se limita necessariamente à Epic: pode ser integrada à Cerner e a outros produtos de prontuário eletrônico, ou ser utilizada como uma ferramenta independente.

As trajetórias de tratamento oncológico são complexas e podem incluir ramificações interligadas e múltiplas para chegar ao tratamento mais adequado ao paciente. Por isso, o desenvolvimento também se concentrou na facilidade de uso, na velocidade e na capacidade de resposta, em vez de adicionar muitas funcionalidades que não atendem diretamente à decisão clínica. A Solavia também é baseada na nuvem e pode ser ampliada e estendida, características que as duas instituições consideraram necessárias para um produto moderno capaz de atender a mais de uma organização.

Testes internos antes da expansão comercial

A plataforma começou a operar na NYU Langone durante o mês de junho, antes de ser disponibilizada comercialmente. O primeiro objetivo era substituir o software anterior e utilizar a ferramenta com os médicos e pacientes da instituição. O segundo era aproveitar a experiência dos centros de câncer das duas instituições e coletar amplo feedback dos oncologistas durante as fases de descoberta, design e desenvolvimento.

Esse lançamento interno permitiu às duas instituições testar se a plataforma realmente atendia às necessidades dos médicos e, depois, apresentar um produto funcional aos sistemas de saúde interessados, em vez de oferecer apenas um conceito teórico. Assim, o uso interno tornou-se uma etapa de aprendizado e validação, e não apenas uma fase técnica anterior à venda.

Governança e segurança em um modelo multi-institucional

As duas instituições criaram um conselho de governança, firmaram acordos formais e envolveram as equipes jurídicas, de compliance e de empreendimentos comerciais na gestão da plataforma. Essa estrutura busca manter as duas partes alinhadas à medida que o uso se expande e outras instituições ingressam.

A Solavia foi projetada como um sistema multi-inquilino, com os dados de cada instituição separados dos demais. A plataforma também passou por várias revisões de segurança, seguindo a mesma abordagem adotada pelas instituições ao comprar um produto de um fornecedor externo. Isso inclui verificar a segurança do sistema e sua capacidade de isolar os dados de cada organização individualmente, requisitos que não desaparecem simplesmente porque o software foi desenvolvido internamente.

Uma decisão que não serve para todos

Mehrabi acredita que algumas instituições compram grandes conjuntos de software e depois utilizam apenas cerca de 30% de suas funcionalidades, enquanto continuam pagando o custo integral do pacote. Com o avanço da computação em nuvem e das ferramentas de inteligência artificial, desenvolver um produto que resolva um problema específico tornou-se mais rápido e fácil do que antes, enquanto os produtos de software como serviço podem oferecer mais funcionalidades do que a instituição necessita, a um preço elevado.

Mesmo assim, Mehrabi não acredita que todos os sistemas de saúde passarão a desenvolver integralmente seus próprios softwares. A opção pode ser lógica em casos de uso especializados, especialmente quando a instituição possui as capacidades financeiras, operacionais e técnicas necessárias. Já as instituições que não dispõem desses recursos podem considerar mais adequado comprar ou colaborar com um fornecedor externo. A experiência conclui que a escolha entre desenvolver e comprar depende da natureza do problema, do grau de especialização necessário e da capacidade de desenvolvimento, suporte e governança, não sendo uma regra única para todos os sistemas de saúde.

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