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Tribunal americano anula classificação da Anthropic como risco para a cadeia de suprimentos

Um tribunal federal americano decidiu que a tentativa do Departamento de Defesa de classificar a Anthropic como «risco para a cadeia de suprimentos» violou os direitos constitucionais da empresa e as garantias do devido processo legal. A decisão suspende as sanções associadas à classificação, mas não obriga o Pentágono a usar os modelos Claude nem a assinar um novo contrato com a empresa.

2026-08-28
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certi.news
Tribunal americano anula classificação da Anthropic como risco para a cadeia de suprimentos
Um tribunal federal americano decidiu que a tentativa do Departamento de Defesa de classificar a Anthropic como «risco para a cadeia de suprimentos» violou os direitos constitucionais da empresa e as garantias do devido processo legal. A decisão suspende as sanções associadas à classificação, mas não obriga o Pentágono a usar os modelos Claude nem a assinar um novo contrato com a empresa.

O Tribunal Federal do Distrito Norte da Califórnia decidiu que a tentativa do Departamento de Defesa dos Estados Unidos de classificar a empresa de inteligência artificial Anthropic como «risco para a cadeia de suprimentos» foi ilegal, em uma decisão que impede a continuidade das medidas que dificultaram o uso dos produtos da empresa pelas agências federais. A decisão foi proferida pela juíza Rita Lin, em um documento de 59 páginas.

O tribunal considerou que as medidas do governo tinham caráter retaliatório por causa das posições da Anthropic sobre o uso da inteligência artificial, violando a proteção à liberdade de expressão garantida à empresa pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos. Também concluiu que não dar à empresa a oportunidade de contestar sua classificação violou seu direito ao devido processo legal, conforme previsto na Quinta Emenda.

Contexto da disputa entre a Anthropic e o Pentágono

O conflito começou depois que a Anthropic se recusou a permitir o uso dos modelos Claude em atividades de vigilância em massa direcionadas a cidadãos americanos ou em sistemas de armas totalmente autônomos. A empresa afirmou que os modelos de inteligência artificial atuais não são confiáveis o suficiente para uso seguro em armas autônomas e que a vigilância em massa dentro dos Estados Unidos entra em conflito com direitos fundamentais.

Em contrapartida, o Pentágono afirmou que empresas privadas não podem impor restrições às finalidades para as quais os militares utilizam seus sistemas de inteligência artificial. Após o fracasso das negociações entre as partes, o secretário de Defesa Pete Hegseth classificou a empresa, em fevereiro, como «risco para a cadeia de suprimentos». Essa designação era usada principalmente para empresas estrangeiras consideradas uma ameaça de infiltração ou sabotagem dos sistemas militares americanos, o que tornou a Anthropic a primeira empresa americana a ser explicitamente classificada dessa forma.

O que muda na prática?

O tribunal anulou a classificação e ordenou a retirada das instruções que impediam as agências federais de usar os produtos da Anthropic. Com isso, as medidas suspensas temporariamente em março passaram a ser permanentemente proibidas, de acordo com a decisão, que entrou em vigor imediatamente. Ainda assim, a decisão não obriga o Departamento de Defesa a voltar a usar os modelos Claude nem a celebrar um novo contrato com a Anthropic; o departamento mantém a prerrogativa de escolher os fornecedores de inteligência artificial com os quais trabalha.

A análise editorial da certi.news

A importância da decisão está em estabelecer limites legais ao uso de justificativas de segurança nacional contra uma empresa americana por causa de sua posição sobre controles de uso da inteligência artificial. Contudo, ela não resolve a disputa mais ampla sobre as condições de uso dos modelos em vigilância ou em armas autônomas, nem concede à Anthropic um direito automático de contratar com o Pentágono.

A Anthropic afirmou que saúda a decisão e que está disposta a continuar trabalhando com o governo para promover o uso responsável da inteligência artificial na área de segurança nacional. Ao mesmo tempo, o governo poderá recorrer da decisão, enquanto uma segunda ação movida pela empresa em Washington contra uma classificação separada, que poderia levar à sua exclusão de contratos civis do governo, ainda não foi decidida.

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