A Food & Water Watch, a Physicians for Social Responsibility—Los Angeles e o Sierra Club se juntaram a uma ação judicial existente contra a cidade de Los Angeles e o Los Angeles Department of Water and Power (LADWP), acusando ambas as partes de não cumprir os requisitos da Lei de Qualidade Ambiental da Califórnia (CEQA) ao aprovar o projeto de conversão da usina a gás Scattergood para operar com uma mistura de hidrogênio e metano.
A usina fica perto das comunidades de Inglewood, Hawthorne e Lennox, áreas que, segundo as organizações, têm a qualidade do ar afetada há muito tempo pela infraestrutura de combustíveis fósseis. O LADWP havia anunciado, em 2022, planos para modernizar a usina para que pudesse queimar a nova mistura, permitindo que ela continuasse em operação após a data prevista para seu fechamento.
Disputa sobre a avaliação de impacto ambiental
As organizações afirmam que as preocupações públicas com o projeto não se limitam à continuidade da operação de uma usina a gás, mas incluem seus impactos climáticos, os riscos de segurança associados ao hidrogênio e suas grandes necessidades de água. Em 2025, o Conselho de Comissários do LADWP aprovou o relatório de impacto ambiental do projeto, mas os grupos contrários o classificaram como insuficiente e afirmaram que ele não avaliou adequadamente os possíveis impactos à saúde e ao meio ambiente.
A Communities for a Better Environment e a Los Angeles Waterkeeper haviam ajuizado a ação em dezembro, mas seus procedimentos foram temporariamente suspensos enquanto o Conselho Municipal de Los Angeles analisava um recurso apresentado pelas organizações contra a aprovação do Conselho de Comissários do LADWP. Após o conselho votar pela rejeição do recurso em 4 de agosto de 2026, o período de suspensão da ação deve terminar em setembro, com a adesão de novas partes à contestação do projeto.
O que dizem as entidades que aderiram à ação?
Theo Caretto, advogado da equipe da Communities for a Better Environment, afirmou que o projeto Scattergood representa um investimento em nova infraestrutura de combustíveis fósseis e criticou o que descreveu como a desconsideração, pelo relatório, dos impactos sobre a segurança, a poluição do ar e da água e as metas climáticas da cidade.
Já Tyler Lobdell, advogado sênior da Food & Water Watch, afirmou que a dependência do hidrogênio não é compatível com o compromisso declarado de Los Angeles de alcançar 100% de eletricidade livre de carbono até 2035, enquanto Zack Waterman, do Sierra Club, considerou que a análise ambiental foi elaborada de modo a favorecer o investimento em nova infraestrutura de gás.
Por sua vez, Alex Jasset, diretor de Justiça Energética da Physicians for Social Responsibility—Los Angeles, afirmou que o LADWP não avaliou suficientemente os impactos à saúde e ao meio ambiente do projeto, além das limitações do mercado de hidrogênio, alertando que isso poderia manter a cidade dependente da queima de metano.
Por que essa disputa é importante?
A ação, por si só, não determina se o uso de hidrogênio na usina produzirá uma redução efetiva das emissões, mas coloca a avaliação de impacto ambiental e o processo de aprovação do projeto sob revisão judicial. As questões em aberto, de acordo com o que consta na ação e nas declarações das organizações, concentram-se na suficiência do estudo sobre segurança, saúde e água; na viabilidade da dependência do hidrogênio; e na compatibilidade da continuidade da operação da usina com a meta climática da cidade para 2035.
A disputa também não é a única contestação ao projeto; o Center for Biological Diversity ajuizou uma ação separada contra o LADWP relacionada ao projeto Scattergood. As acusações apresentadas nesses casos continuam sendo posições das partes autoras até que o tribunal decida sobre elas.