O acordo de aquisição da empresa indiana VideoVerse, anunciado em setembro de 2025 pelo valor de US$ 250 milhões, transformou-se em uma rede de processos judiciais e acusações de fraude e falsificação de documentos, enquanto investidores continuam aguardando sua parcela dos retornos da transação. O cofundador da empresa, Vinayak Shrivastava, enfrenta múltiplos processos, enquanto a Minute Media anunciou em maio o encerramento de seu contrato com a VideoVerse.
O acordo havia parecido uma conquista marcante para as empresas de startups na Índia. A VideoVerse começou como um serviço simples de recorte de clipes e depois desenvolveu suas operações por meio de incubadoras de empresas e de suas ofertas aos clientes, até ser adquirida pela Minute Media, uma empresa internacional de publicação esportiva cujas operações estão divididas entre Nova York e Tel Aviv. A Minute Media planejava expandir o programa da VideoVerse para fora do mercado indiano, especialmente no setor esportivo internacional.
Um acordo que terminou em separação judicial
Menos de um ano após o anúncio, o acordo começou a desmoronar. Um representante da Minute Media afirmou que a empresa decidiu encerrar sua relação com a VideoVerse após descobrir, entre outras coisas, “discrepâncias significativas” nos dados e nas declarações fornecidos pela empresa. A fonte explicou que as duas empresas continuaram operando como entidades jurídicas separadas mesmo depois do fechamento do acordo.
Os processos apresentados por investidores e credores afirmam que Shrivastava usou a imagem de uma empresa bem-sucedida para acumular dívidas e estabelecer acordos financeiros paralelos, acusações às quais ele não respondeu, apesar das várias tentativas da TechCrunch de contatá-lo. Os detalhes dos processos e o destino dos recursos continuam sendo objeto de disputa nos tribunais.
Acusações de investidores e credores
A Bluestone Capital, que apoiou a VideoVerse em uma rodada de financiamento em 2023, processou a empresa por fraude, alegando que ela violou os termos do investimento e se recusou a distribuir os retornos da aquisição. Em um processo separado, um credor busca recuperar US$ 64 milhões de um empréstimo obtido por Shrivastava pouco depois do fechamento do acordo.
A queixa do credor alega que Shrivastava usou documentos de fusão fraudulentos que não refletiam os termos do acordo alcançado com a Minute Media, com o objetivo de levar os acionistas da Clippings a aprovar a fusão. O ex-diretor de operações da VideoVerse, Sabya Das, também o acusa de falsificar sua assinatura em contratos de empréstimo e de recompra de ações, o que, segundo o processo, resultou na retirada de dezenas de milhões de dólares da empresa.
Empréstimo de US$ 55 milhões e documentos contestados
Em outubro, Shrivastava organizou um empréstimo estruturado de US$ 55 milhões com a empresa de investimentos Lingotto, que, segundo informações, destinava-se a quitar um credor anterior. De acordo com um documento judicial apresentado pela Lingotto, US$ 53 milhões foram transferidos para uma conta controlada pela Clippings em 1º de outubro, com um cronograma de pagamento regular.
Mais tarde, porém, a Lingotto afirmou que documentos essenciais apresentados por Shrivastava eram falsificados. As acusações incluem a de que o CEO da Minute Media não assinou os documentos e de que capturas de tela supostamente mostrando saldos bancários internos foram forjadas. A Lingotto deveria receber US$ 4 milhões em 31 de março, mas o pagamento não chegou. Quando exigiu o pagamento integral do empréstimo, com juros, a empresa descobriu que havia um grande número de credores aguardando seus valores.
Atividade lucrativa e destino incerto
A VideoVerse era uma importante participante do mercado de recorte de clipes, fornecendo ferramentas automatizadas para transformar transmissões longas em clipes curtos adequados às plataformas de redes sociais. Seu principal produto, Magnifi, usava inteligência artificial para identificar automaticamente jogadores e momentos importantes, como a criação de um pacote contendo todas as cestas de três pontos em uma partida de basquete, com o apoio de uma ampla equipe humana.
A plataforma atraiu clientes importantes, entre eles a Indian Premier League, a FIFA+ e a Nippon TV, e a Minute Media também esperava usá-la para expandir-se no mercado americano. No entanto, os processos interligados perante o Tribunal de Chancelaria de Delaware, que envolvem a Minute Media, a Lingotto e a Bluestone, deixaram incertos a situação financeira da empresa e o destino dos recursos. No fim de abril, Shrivastava já não ocupava o cargo de CEO.