A Microsoft anunciou, em 2 de julho de 2026, a criação da Microsoft Frontier Company, uma nova unidade operacional dedicada a oferecer o que a empresa chama de “transformação de fronteira” por meio da inteligência artificial a clientes em todo o mundo. A empresa pretende investir US$ 2,5 bilhões na iniciativa, com o envolvimento de 6.000 especialistas em indústria e engenharia junto aos clientes para participar do projeto, desenvolvimento, implantação e aprimoramento contínuo de sistemas de inteligência artificial, com base em resultados de negócios mensuráveis.
A medida ocorre em um momento em que a Microsoft afirma que os clientes superaram a fase dos experimentos iniciais com inteligência artificial e passaram a concentrar-se na transformação de seus negócios e na comprovação do retorno sobre seus investimentos, ao mesmo tempo que buscam ampliar suas capacidades de conhecimento e proteger sua propriedade intelectual.
Engenharia que vai além do modelo de implantação em campo
A nova empresa reunirá conhecimento especializado dos setores, experiência em gestão de mudanças e melhoria contínua, além de capacidades de engenharia de inteligência artificial voltadas para empresas. A Microsoft afirma que essa abordagem vai além do que é conhecido como engenharia de implantação em campo, ou Forward Deployed Engineering, e que será a maior organização de engenharia do setor e a mais capacitada e orientada a resultados, segundo sua descrição.
A empresa considera que as organizações precisam de duas plataformas interconectadas. A primeira é uma plataforma de inteligência empresarial, na qual se acumulam dados privados, conhecimentos especializados, fluxos de trabalho e processos de tomada de decisão, permitindo o uso dos modelos escolhidos pela organização para criar soluções e fluxos de trabalho baseados em inteligência artificial. A segunda é uma plataforma confiável para monitorar, governar, gerenciar e proteger essas soluções em todas as camadas tecnológicas, utilizando também a gestão financeira de tecnologia, ou FinOps, para avaliar o retorno sobre o investimento.
Segundo a Microsoft, a experiência especializada em engenharia e o conhecimento profundo dos setores funcionarão como um ciclo contínuo de aprimoramento entre as duas plataformas, com o objetivo de ajustar e melhorar as operações de negócios baseadas em agentes, para que o conhecimento e as capacidades do cliente se acumulem ao longo do tempo e se transformem em resultados reais de negócios.
Exemplos iniciais e rede de parceiros
A Microsoft citou a colaboração de seus engenheiros e especialistas em indústria com o London Stock Exchange Group, LSEG, para integrar inteligência artificial à plataforma LSEG Workspace. A solução especializada ajuda profissionais financeiros a fazer perguntas complexas e obter respostas rápidas a partir de conteúdo financeiro estruturado e não estruturado.
A empresa afirma que a base da solução é aprimorada iterativamente com base no feedback dos clientes e em testes de usuários em tempo real, o que acelera os ciclos de melhoria e eleva gradualmente a qualidade e o alcance do modelo. Também mencionou resultados na Land O’Lakes, na Unilever e na Novo Nordisk como parte das trajetórias de transformação de seus clientes.
Para alcançar uma escala maior, a Microsoft Frontier Company trabalhará com seu ecossistema de parceiros, incluindo parcerias de engenharia de implantação em campo com integradores globais Accenture, Capgemini, EY, KPMG e PwC, entre outros.
Proteção da inteligência dos clientes e diversidade de modelos
A iniciativa coloca a proteção da “inteligência” do cliente no centro de suas atividades. A Microsoft afirma que os dados e a propriedade intelectual dos clientes, assim como sua vantagem competitiva, não serão usados para treinar modelos de uma maneira que transforme em commodity os elementos que diferenciam a empresa dentro de seu setor.
A empresa também adotará uma plataforma de inteligência artificial aberta e diversificada em termos de modelos, permitindo que os clientes escolham o modelo mais adequado para cada caso de uso, seja da OpenAI, da Anthropic, da Microsoft AI, da comunidade de código aberto ou um modelo especializado ajustado para determinado setor. Segundo a Microsoft, o objetivo é evitar a dependência de um único modelo ou de um único fornecedor de tecnologia.
Rodrigo Kede Lima assumirá a presidência da Microsoft Frontier Company como chefe designado da unidade. A Microsoft informou que ele possui 30 anos de experiência no setor e que, nos últimos seis anos na empresa, liderou transformações em nível empresarial como responsável pelas vendas nas Américas e na Ásia.