A Volkswagen ampliou sua parceria com a fabricante chinesa de baterias Gotion por meio de três projetos conjuntos destinados a construir uma base europeia para a produção de baterias de fosfato de ferro-lítio (LFP), uma química de baterias mais barata e mais durável do que algumas alternativas, usada cada vez mais em veículos elétricos voltados ao mercado de massa.
A medida faz parte do plano da Volkswagen de desenvolver uma célula de bateria padronizada que possa ser usada pelas marcas do grupo, da Volkswagen à Porsche, com suporte a diferentes químicas, que poderão incluir futuramente baterias de estado sólido. A empresa aposta que esse design permitirá maior flexibilidade na integração das células em vários modelos, reduzindo o custo dos veículos elétricos destinados a uma parcela mais ampla de compradores.
Três projetos na Espanha, na Eslováquia e no Marrocos
Nos termos do acordo, a Gotion pagará US$ 1,25 bilhão por uma participação de 49% na fábrica da PowerCo na cidade espanhola de Valência. A fábrica será administrada conjuntamente pela PowerCo e pela Gotion e se tornará, segundo a Volkswagen, um centro europeu de produção de células padronizadas com tecnologia LFP, com capacidade de até 29,1 gigawatts-hora.
A Volkswagen também gastará cerca de US$ 535 milhões até 2030 para obter uma participação de 49% na fábrica da Gotion na Eslováquia e criar uma nova unidade no Marrocos. Espera-se que a fábrica eslovaca, com capacidade de 8,4 gigawatts-hora, produza células LFP para veículos e aplicações de armazenamento estacionário de energia, enquanto a unidade marroquina produzirá os materiais do cátodo usados em baterias LFP.
Por que esta notícia é importante?
A Volkswagen afirma que a participação das baterias LFP na Europa pode subir dos atuais 10% para entre 40% e 60% até 2030, enquanto o continente atualmente não possui uma capacidade de produção significativa dessa química. Portanto, o anúncio não diz respeito apenas à adição de um modelo ou especificação, mas a uma tentativa de transferir parte da cadeia de fornecimento de LFP para a Europa e reduzir a dependência da indústria em relação à produção chinesa, que domina essa cadeia.
As baterias LFP se beneficiam de custos mais baixos e maior durabilidade, e sua densidade energética também melhorou em comparação com o passado, o que as torna particularmente adequadas para veículos elétricos mais baratos, embora a fonte não especifique quais modelos usarão as novas células nem os preços finais dos veículos.
Um contexto industrial mais competitivo
Outras empresas estão avançando na mesma direção. Na Espanha, a Stellantis e a CATL estão construindo uma fábrica com capacidade de 50 gigawatts-hora, que deverá iniciar a produção de células no próximo ano. Fora da Europa, a Ford licenciou a tecnologia da CATL para produzir suas células em Michigan, enquanto a unidade da Gotion em Illinois fornecerá células LFP para o caminhão Slate, e a Tesla e a LG iniciaram este ano a produção de células LFP nos Estados Unidos para uso em sistemas estacionários de armazenamento de energia.
Os acordos da Volkswagen ocorrem em uma fase em que o grupo está reestruturando seus negócios, incluindo a redução de dezenas de milhares de empregos, a diminuição de sua presença industrial e a redução do número de modelos, em decorrência do aumento dos custos e do acirramento da concorrência. Assim, o projeto representa uma aposta industrial na redução do custo das baterias e na localização de sua produção, mas, por si só, não comprova quando veículos mais baratos chegarão ao mercado nem seu sucesso comercial; a capacidade anunciada, o cronograma de operação e a distribuição das células entre as marcas do grupo continuam sendo fatores decisivos.