A startup Proception encerrou uma disputa jurídica com a Tesla após um acordo na ação em que a empresa americana acusou Jay Li, que havia sido responsável técnico pelo programa do robô humanoide Optimus, de apropriar-se de segredos comerciais para fundar sua nova empresa. O tribunal rejeitou a ação no início deste mês, e a Tesla não respondeu ao pedido de comentário da TechCrunch.
Paralelamente ao fim da disputa, a Proception anunciou na segunda-feira a captação de US$ 11 milhões em uma rodada de financiamento inicial liderada pela First Round Capital, com a participação da Y Combinator e do fundo de investimentos em empresas em estágio inicial BoxGroup. A empresa também começou a enviar o primeiro lote de sua mão robótica de alta destreza a pesquisadores e empresas de robótica e abriu espaço para pedidos mais amplos.
Foco na destreza manual
A Proception pretende tornar-se fornecedora de mãos robóticas para empresas que não querem dedicar o tempo ou os recursos necessários para desenvolver o que é conhecido no setor de robótica como “manipulação hábil”, ou seja, a capacidade de um robô de agarrar objetos e lidar com eles por meio de movimentos precisos e variados.
Li acredita que o setor de robótica recebeu muito financiamento e atenção, mas que uma parcela insuficiente desse foco foi direcionada ao desenvolvimento de mãos robóticas que imitem a mão humana em alto grau. Esse é considerado um dos desafios de engenharia mais difíceis da robótica humanoide; há um amplo consenso no setor de que ainda serão necessários muitos anos para alcançar mãos comparáveis às humanas. Um relatório anterior citou Kevin Lynch, diretor do Centro de Robótica e Sistemas Biológicos da Universidade Northwestern, segundo o qual sua equipe estima que será necessária uma década antes que essas mãos se tornem práticas, úteis e capazes de realizar parte do que os humanos fazem.
Uma luva para coletar dados de interação
A maioria das empresas que atualmente treinam robôs humanoides depende de operadores remotos. O operador humano usa um capacete de realidade virtual para ver o que o robô vê e controlar os objetos à sua frente; então, o sistema aprende com os comandos que recebe.
Mas Li afirma que esse método carece de feedback suficiente dos objetos tocados pelo robô, e que sua capacidade de coletar dados também é afetada pelo número de robôs disponíveis simultaneamente. Para lidar com isso, a Proception desenvolveu uma luva equipada com sensores, usada por testadores humanos com um capacete de realidade virtual, permitindo que a empresa e seus clientes capturem dados sobre a interação da mão humana com objetos sem a necessidade de um robô no processo.
A mesma luva é utilizada na mão robótica desenvolvida pela Proception para funcionar como uma espécie de “pele” repleta de sensores. A mão possui 22 graus de liberdade de movimento, com várias articulações em cada dedo, o que permite uma ampla variedade de movimentos precisos. Li acredita que essa abordagem ajudará a coletar dados mais detalhados e relacionados a tarefas específicas, o que poderá aproximar os movimentos da mão robótica dos movimentos da mão humana, além de considerá-la adequada à expansão.
Financiamento para apoiar hardware e dados
Li afirmou que o sucesso da manipulação hábil exige a combinação de hardware e dados, explicando que algumas empresas se concentram apenas no hardware ou o associam a métodos de coleta de dados difíceis de ampliar. A Proception aposta, em vez disso, em hardware de alta destreza com dados escaláveis.
Bill Trenchard, sócio da First Round que liderou o investimento, afirmou que essa combinação entre mão robótica, dados e modelos foi um dos principais motivos para apoiar a empresa. Acrescentou que a manipulação hábil representa uma parte importante do futuro da robótica humanoide e a descreveu como praticamente a última etapa para levar esses robôs a um desempenho efetivo.
Trenchard também elogiou a capacidade de Li e sua equipe de continuar trabalhando durante a ação judicial. Li, por sua vez, disse que não ficaria surpreso se a Tesla pedisse a ajuda da Proception no futuro, à medida que a empresa crescesse, reafirmando sua convicção de que isso poderia acontecer.