A Katalyst Space e a NASA cancelaram o plano de usar a espaçonave Link para capturar o observatório Neil Gehrels Swift e elevar sua órbita, depois que ambas concluíram que os problemas de controle de atitude da Link impedem a execução segura da operação. A Katalyst informou em um anúncio publicado em 20 de agosto que a decisão foi tomada em consulta com a NASA, observando a persistência dos problemas de controle de orientação sem fornecer detalhes adicionais.
Problema no sistema de controle
A Link foi lançada em 3 de julho a bordo de um foguete Pegasus XL, em uma missão originalmente projetada para alcançar o Swift e elevar sua órbita. Após o lançamento, a empresa informou que a espaçonave estava em boas condições, mas anunciou em 28 de julho que a Link havia entrado em uma rotação de múltiplos eixos devido a falhas no sistema de controle, incluindo a perda de duas das três rodas de reação. Os propulsores do sistema de controle de reação também estavam funcionando apenas parcialmente.
No início de agosto, as equipes de controle conseguiram reduzir a velocidade de rotação de 9 graus por segundo para 1,47 grau por segundo, usando os propulsores elétricos que originalmente deveriam realizar a mudança de órbita da espaçonave. Depois disso, a empresa instalou um novo software de voo e afirmou em 11 de agosto que a configuração atualizada poderia permitir operações de encontro, preparando uma tentativa de capturar o Swift e elevar sua órbita. Esperava-se que a Link chegasse ao observatório no fim de agosto.
O que acontecerá agora?
Em vez de realizar a elevação orbital, a Link executará operações de encontro e manobras próximas ao Swift. A Katalyst e a NASA não esclareceram o motivo detalhado que levou à exclusão da tentativa de captura do observatório, mas a decisão reflete os limites da capacidade da espaçonave de executar uma manobra que exige orientação estável e uma aproximação precisa de outro veículo.
Ghonhee Lee, diretor-executivo da Katalyst Space Technologies, afirmou que a empresa usará as operações restantes para extrair lições que possam ser incorporadas a futuras missões de serviço de satélites. Em 13 de agosto, a Katalyst havia sido selecionada, juntamente com outras duas empresas, para contratos de estudo da Space Development Agency e da Defense Innovation Unit destinados à prestação de serviços de remoção de satélites da órbita.
Por que esta notícia é importante?
A missão Swift era um teste de alto risco de tecnologias de encontro e serviço de veículos em órbita, além de ocorrer dentro de um prazo curto imposto pela deterioração da órbita do observatório. Avaliações da NASA constataram que o aumento do arrasto atmosférico, associado à elevação da atividade solar, acelera a queda do Swift e pode levar à sua reentrada na atmosfera no fim de 2026.
Em setembro, a NASA concedeu à Katalyst um contrato de 30 milhões de dólares para executar a elevação orbital, depois que a Link já estava em desenvolvimento para demonstrar tecnologias de serviço de satélites na órbita terrestre baixa. A NASA confirmou que a missão envolvia riscos significativos, mas poderia fornecer experiência que fosse além do salvamento do Swift, independentemente de a elevação orbital ser bem-sucedida ou não.
O fim da missão científica do Swift
O cancelamento da elevação orbital significa, na prática, a aproximação do fim da missão do Swift, lançado em 2004 para observar explosões de raios gama e outros fenômenos astrofísicos de alta energia. Atualmente, o observatório orbita a uma altitude entre 343 e 347 quilômetros, e a NASA espera que ele reentre na atmosfera mais tarde neste ano.
A agência havia interrompido a maior parte das operações científicas do observatório no início de 2026, como parte de medidas para ajustar seu modo de operação, reduzir o arrasto atmosférico e dar à missão de elevação uma oportunidade adicional. A NASA não esclareceu se reativará os instrumentos do Swift durante os últimos meses de sua vida, afirmando que dependerá de missões atuais para observar eventos cósmicos até encontrar novas opções de resposta rápida.