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Correspondências revelam pressão da Tesla sobre a autoridade neerlandesa durante a revisão do sistema FSD na Europa

Correspondências obtidas pela Reuters revelam que a Tesla pressionou a autoridade neerlandesa RDW para reduzir o escopo da revisão do sistema Full Self-Driving (Supervised), enquanto a empresa e a autoridade se baseiam na aprovação neerlandesa para promover a adoção do sistema em toda a União Europeia. Os documentos e os métodos de medição da segurança levantam questões sobre a transparência e a independência da avaliação.

2026-10-08
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certi.news Editorial Team
Correspondências revelam pressão da Tesla sobre a autoridade neerlandesa durante a revisão do sistema FSD na Europa

Centenas de páginas de correspondências entre a Tesla e autoridades reguladoras europeias revelam que a empresa pressionou a autoridade neerlandesa de registro de veículos RDW para reduzir o esforço necessário à revisão do sistema Full Self-Driving (Supervised), segundo uma investigação publicada pela Reuters. O caso é importante porque a aprovação neerlandesa se tornou a base sobre a qual a Tesla sustenta seus esforços para disponibilizar o sistema em outros países europeus.

As correspondências mostram que a Tesla descreveu o início dos testes dos veículos antes do fim de novembro de 2024 como uma “missão de extrema importância” para a liderança da empresa, e que mediria a “boa-fé” da autoridade reguladora com base no cumprimento desse prazo. Em abril de 2025, a Tesla contestou uma fatura de 365 mil euros referente a cinco meses de trabalho da RDW e exigiu um detalhamento das horas trabalhadas por cada funcionário, além de contestar os custos da visita de cinco funcionários à fábrica Giga Berlin.

Concessões processuais levantam questões sobre a independência

Depois que a Tesla contestou a fatura, a RDW convidou a empresa a propor formas de ajustar ou reduzir o esforço necessário no futuro. Segundo os documentos, as mudanças incluíram a aceitação do monitoramento remoto de alguns testes, em vez da presença de um inspetor da autoridade, e a concordância da RDW em receber aviso prévio dos testes e os nomes dos motoristas de segurança. A Tesla também pressionou pela redução da discussão sobre atualizações de software pelo ar, e um funcionário da RDW respondeu que não queria aprofundar demais os detalhes técnicos e que não questionava a qualidade do processo de atualizações.

A RDW afirma que sua comunicação com os fabricantes não compromete a independência nem a abrangência da avaliação. No entanto, grandes partes da correspondência foram ocultadas, e a autoridade não publicou seus dados dos testes do FSD, alegando segredos comerciais da Tesla. Na prática, isso significa que outros países europeus são instados a confiar em uma revisão cujos dados fundamentais o público não consegue examinar.

Dados de segurança não comprovam alegações de salvamento de vidas

A Tesla forneceu aos Estados-membros da União Europeia um “painel de evidências” com dados de segurança e depois publicou um estudo europeu que, segundo a empresa, estava entre as principais evidências que apoiaram a aprovação neerlandesa. No entanto, sete pesquisadores de segurança viária revisaram a metodologia do estudo para a Reuters e concluíram que a amostra de condução era pequena demais para ser comparada com as centenas de milhões de quilômetros percorridos manualmente por carros da Tesla na Europa.

Em vez de se basear em acidentes, o estudo mediu indicadores alternativos, como o uso da buzina e das setas, frenagens bruscas e mudanças repentinas de direção. Além disso, os carros foram conduzidos por motoristas de teste profissionais contratados pela Tesla, e não por proprietários comuns. As próprias observações da Tesla afirmam que as comparações não podem ser interpretadas como estimativas causais; portanto, o estudo não comprova que o FSD previna acidentes ou mortes, apesar de a empresa usar uma linguagem que fala em vidas que poderiam ser salvas.

Processo de aprovação europeu

Atualmente, oito países da União Europeia permitem o sistema: Países Baixos, Lituânia, Dinamarca, Bélgica, Estônia, Eslovênia, República Tcheca e Croácia. Sua aprovação em nível da União exige a aprovação de 15 países que representem 65% da população do bloco, com uma votação prevista para dezembro, no mínimo. Alemanha, Itália e Espanha ainda não apoiaram o sistema, enquanto a Suécia quer rejeitá-lo, a menos que a Tesla elimine a possibilidade de definir velocidades acima do limite legal.

Na França, o ministro dos Transportes Philippe Tabarot afirmou em julho que seu país não poderia apoiar o FSD, e Elon Musk respondeu que o atraso na aprovação custaria vidas. Dois meses depois, Tabarot publicou uma foto de uma ligação com Musk e a descreveu como uma troca construtiva, indicando que estavam trabalhando em mudanças que poderiam permitir à França apoiar a aprovação.

Por que esta notícia é importante?

Os documentos não comprovam que o FSD seja inseguro na Europa, mas enfraquecem a imagem de um processo de aprovação totalmente independente e auditável. Eles também revelam que a pressão não veio apenas da empresa: a Tesla incentivou os proprietários de seus carros a entrar em contato com as autoridades reguladoras, o que resultou em numerosas mensagens repetindo alegações de salvamento de vidas e atribuindo a determinados funcionários a responsabilidade pelas mortes.

As questões em aberto dizem respeito à capacidade dos reguladores europeus de verificar dados reais dos clientes, à possibilidade de a RDW publicar os resultados de seus testes e à possibilidade de os grandes países exigirem esses dados antes da votação. A publicação de dados de condução dos clientes e a disponibilização dos resultados a pesquisadores independentes dariam ao debate uma base mais sólida do que os indicadores alternativos e as alegações gerais.

Fonte da notícia
Electrek - EV Technology
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