A Hyundai se prepara para ampliar sua presença no mercado americano de veículos elétricos por meio de veículos elétricos de autonomia estendida, ou EREV, começando pelo Santa Fe de três fileiras. A empresa afirma que o novo sistema de propulsão oferecerá autonomia total superior a 600 milhas e aceleração próxima à dos veículos totalmente elétricos, com tração integral baseada em dois motores elétricos, um na dianteira e outro na traseira, de acordo com informações divulgadas pela Car and Driver.
A iniciativa ocorre em um momento em que os EREV se tornaram uma categoria importante na China, após mudanças regulatórias excluírem dos incentivos para veículos de nova energia os híbridos plug-in incapazes de percorrer 100 quilômetros apenas com a bateria. A fonte observa que esse número se baseia em um ciclo de testes chinês generoso em comparação com os testes americanos; as estimativas da Agência de Proteção Ambiental costumam ser cerca de 20% menores, ou aproximadamente 50 milhas, segundo a comparação apresentada na matéria.
O que diferencia um EREV de um híbrido plug-in?
Em um híbrido plug-in tradicional, o motor de combustão interna pode movimentar diretamente as rodas, além de carregar a bateria quando necessário. Já em um EREV, o motor a gasolina é usado para acionar um gerador que carrega a bateria durante o funcionamento do veículo, enquanto os motores elétricos ficam responsáveis por movimentar as rodas.
Esse projeto proporciona ao veículo um comportamento mais próximo ao de um veículo elétrico no que diz respeito à dependência da propulsão elétrica, mantendo um motor a combustão para reduzir a necessidade de paradas frequentes para recarga em viagens longas. A fonte apresenta essa categoria como uma solução intermediária entre os veículos totalmente elétricos e os híbridos tradicionais, especialmente para compradores que ainda se preocupam com a autonomia ou a disponibilidade de carregamento.
O plano da Hyundai também inclui a Genesis
A estratégia não ficará restrita à marca Hyundai. Espera-se que o Genesis GV70 compacto seja o primeiro veículo da marca de luxo a receber um sistema EREV, após o anúncio do GV80 Hybrid na semana anterior à publicação da matéria. Diz-se que a versão da Genesis oferecerá uma autonomia total ligeiramente maior, chegando a 640 milhas.
Ainda não está claro se o Santa Fe EREV e o GV70 EREV utilizarão o mesmo sistema de propulsão ou se terão diferenças em alguns de seus componentes. O Santa Fe EREV deverá ser produzido nos Estados Unidos, provavelmente na mesma linha de montagem no Alabama que fabrica as versões a gasolina e os híbridos tradicionais, enquanto o GV70 é atualmente produzido em Ulsan, na Coreia do Sul.
O que muda na prática no mercado automotivo?
A Hyundai relaciona o plano dos EREV a objetivos mais amplos no mercado americano. A empresa afirma que lançará 10 novos modelos híbridos tradicionais nos Estados Unidos até 2030, e que esses modelos representarão metade de suas vendas totais naquele ano. A empresa também prevê aumentar a capacidade de produção em suas fábricas na América do Norte em 500 mil unidades adicionais até 2030.
A matéria indica que a empresa também estuda picapes e SUVs com carroceria sobre chassi, entre eles o conceito Boulder, apresentado no Salão do Automóvel de Nova York deste ano. A Hyundai não parece ser a única empresa a considerar os EREV um caminho possível; a Stellantis está desenvolvendo um sistema desse tipo, que deverá ser usado no Jeep Grand Wagoneer e depois na picape Ram 1500 REV, enquanto a Ford estaria desenvolvendo uma picape EREV para substituir a F-150 Lightning descontinuada. A Scout, pertencente ao Grupo Volkswagen, também avalia o uso desses sistemas no Traveler e no Terra.
Leitura da certi.news
A mudança efetiva aqui não é apenas a adição de um novo modelo híbrido, mas uma tentativa de oferecer uma experiência de condução elétrica reduzindo a dependência exclusiva da infraestrutura de carregamento. Uma autonomia superior a 600 milhas pode ajudar a lidar com uma das objeções comuns aos veículos elétricos, mas não resolve a questão da disposição dos compradores para utilizar o carregamento ou abandonar o abastecimento tradicional.
O plano também revela limitações que continuam existindo. Os números divulgados correspondem à autonomia total combinando eletricidade e combustível, e não à autonomia exclusivamente elétrica; além disso, a fonte não especifica a capacidade da bateria, a eficiência de consumo de combustível ou a data detalhada de lançamento dos dois modelos. Portanto, o valor prático de um EREV para o usuário dependerá da quantidade de condução efetivamente elétrica, do custo do sistema e da disponibilidade de carregamento, não apenas do número da autonomia total. A avaliação de sua capacidade de acelerar a transição para longe dos combustíveis continua em aberto até que as especificações, os preços e a experiência de uso no mercado americano sejam esclarecidos.